Prefiro revisitar minhas memórias
pra me fazer sempre nova
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2 de agosto de 2016

Além


Sinto falta da sombra quente do final da primavera
E das flores que se deitavam no quintal
Cada uma tão sem igual
Como os olhos que atravessam as esquinas
Como os lábios que mentem rotinas
balbuciando felicidades pré-escritas

Sinto falta dos cantos dos móveis queimados de bitucas
e da luz da manhã que vinha das almas que sempre julguei puras
Como a despretensão das crianças
Como a imaginação das crianças

Ausência é um copo quebrado
Tendo sido colado mil vezes os cacos:
Nunca será igual

E nem mesmo as crianças tem um coração tão ingênuo quanto antes
Muito menos os jovens carregam aquela esperança franca e palerma
Ou os idosos carregam sabedorias das suas vivências cretinas

Todas as lidas estão tortas
Assim como meu peito bombeando água
Enquanto bebo sangue e
Calejo os dedos
E culpo a falta de um bom fim de primavera
Sempre flores dormindo no chão

Nunca mais luzes da manhã

4 de maio de 2015

Cama de noivos


O primeiro vislumbre da cama de noivos deixada pela primavera no quintal
É o último suspiro das flores antes de mancharem o chão de vermelho
E esse é só o começo...

O barulho da água, o cheiro do sabonete,
o cheiro do incenso da promoção,
o salário na carteira,
ou parte dele,
as contas pagas na mesa.

Os olhos passando às cinco horas na calçada
O vento levando as folhas. É o último suspiro das flores...
Espero que seja só o começo...
Todos voltam agora.

A expectativa deixa a porta aberta,
o coração aberto,
medo ausente
Acho que agora começa a primavera, de fato
no meu coração.

O tempo sempre estraga as melhores esperas
e vai embora.
A esperança finda,
as flores morrem no quintal.

É o tapete vermelho para a espera da estação
O alerta murcha

As flores na copa: Ainda não.